por Leonardo Canova Lima
Primeiro é importante entender exatamente o que é perda na construção civil, como e onde ela pode ocorrer. Perda configura qualquer tipo de utilização acima daquilo que for o necessário, seja de materiais, equipamentos, mão de obra ou de recursos financeiros.
Para entender melhor onde geralmente ocorre o desperdício, é necessário compreender como funciona o sistema de produção. Este sistema é o processo que transforma os insumos em produtos intermediários, como alvenaria e estrutura, ou em produtos finais, como a própria edificação. Este processamento é constituído por atividades de: transporte, espera, inspeção e processamento.
– Processamento: Configura uma mudança física ou química do objeto;
– Inspeção: controle do material;
– Espera: interrupção da operação, por necessidade ou por impedimento;
– Transporte: movimentação do material.
É importante também saber a diferença entre as atividades de conversão das atividades de fluxo. As atividades de conversão são aquelas que agregam valor ao produto, no caso o processamento, enquanto as atividades de fluxo são aquelas que não agregam valor ao produto, como a inspeção, a espera e o transporte. Tendo isso em vista, para reduzir as perdas é importante minimizar no processo produtivo as atividades de fluxo e melhorar as de conversão. Para isso é de suma importância ter um bom planejamento da obra.
Outro conceito importante é a questão das perdas inevitáveis e perdas evitáveis. As perdas inevitáveis são aquelas que o investimento necessário para reduzir seria maior do que a economia gerada, enquanto as evitáveis são as que tem custo de ocorrência maior do que seria necessário investir para reduzir. Sendo assim, o foco para a minimização das perdas no processo construtivo deve estar nessas últimas.
Principais tipos de perdas:
– Por superprodução: produção em quantidades maiores do que as necessárias, o excedente geralmente é perdido. Um exemplo seria a produção excessiva de concreto, após moldadas as peças planejadas, o excedente é desperdiçado;
– Por transporte: Transporte excessivo ou inadequado de materiais. Um exemplo seria levar um excesso de areia no carrinho de mão para amassamento de uma argamassa, haveria queda desta areia no caminho, ou então um transporte de blocos cerâmicos para o local da execução de uma alvenaria onde sobrariam muitos blocos que teriam que ser levados de volta ao estoque;
– No procedimento em si: perda característica da atividade ou da execução inadequada dela. Um exemplo clássico é após a conclusão da alvenaria, quebrá-la para passagem de tubulações. É parte do processo, mas não deixa te haver uma perda de materiais;
– Pela fabricação de produtos defeituosos: quando há a fabricação de elementos que não atendam às qualidades mínimas exigidas. Um exemplo seria o assentamento incorreto de azulejos, que podem cair sendo necessário o retrabalho;
– No movimento: quando há movimentos desnecessários sendo realizados por parte dos trabalhadores. Quando, por exemplo, um trabalhador posiciona blocos cerâmicos em um local inadequado para a execução de uma alvenaria, toda vez que precisa pegar um bloco está realizando movimentos desnecessários, prejudicando a eficiência do processo;
– Por espera: quando há paralisação da mão de obra ou de materiais. Um exemplo seria a ociosidade da equipe de construção por atraso da chegada de matéria-prima;
– Por estoques: armazenamento em excesso ou de maneira inapropriada. Quando há a estocagem de agregados em contato direto com o solo, por exemplo, há uma perda destes agregados pela mistura com o solo;
– Por substituição: quando há a utilização de um material com especificações muito acima do necessário. Materiais mais resistentes ou com um melhor desempenho são geralmente mais custosos, e quando usados sem necessidade são considerados desperdícios na obra;
– Por falta de segurança: ocorrência de acidentes no local de trabalho. Podem gerar uma perda incalculável que seria lesionar ou até mesmo a morte de algum colaborador e além disso, os acidentes trazem gastos para a empresa que são sempre mais custosos do que o investimento com a segurança num primeiro momento;
– Demais perdas: roubo, problemas com equipamentos, condições climáticas e naturais, entre outros.
Por fim, percebemos que há alguns tipos de perda que não tem como evitar, ou pelo menos que não compensa, do ponto de vista financeiro, tentar evitar. Mas de maneira geral a maioria dos tipos de perda são evitáveis, de forma que cabe ao responsável da obra estar sempre atento para manter uma construção organizada e com o mínimo de perdas possíveis, pois além de economizar, ainda é uma atitude sustentável, pela diminuição da quantidade de entulho gerado.
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