
ONU – Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
18 de março de 2021
O QUE É SELO VERDE?
1 de abril de 2021Em alguns locais do Brasil, já há preocupação com os efeitos da pandemia da COVID-19, portanto a necessidade de alternativas para a convivência e a crise econômica vem se tornando cada vez mais crescente. Por isso, vamos demonstrar uma alternativa de habitação coletiva com economia criativa que pretende atender aos 17 objetivos exigidos pela ONU, desenvolvida pela nossa Arquiteta Thalia Sousa.
Por Thalia de Sousa Pereira
Com a pandemia da COVID-19 a necessidade de alternativas para convivência e a crise econômica que se instaura é evidente, estamos presenciando o fato de que milhares de famílias estão desabrigadas por diversos motivos, entre elas, a crise econômica, o desemprego, a renda, conflitos familiares, saúde, migração, saída do sistema penitenciário e o uso abusivo de álcool e drogas. Sabe-se que esses motivos já existiam, o que é triste, e só na capital paulista, no ano de 2020, 6.373 famílias foram expulsas de suas casas, o que totalizou 24.344 mil moradores de rua, tendo que lutar contra o vírus e o desemprego, isso sem contar todo o Brasil. De acordo com o levantamento de informações do Observatório das Remoções de Defensorias Públicas entre o dia 1º de Março e 31 de Agosto, no Paraná houve pelo menos 142 famílias despejadas e 742 estavam ameaçadas de despejo. O Brasil ainda expõe fatos como a desigualdade social, falta de saneamento básico e de equipamentos sanitários adequados que também contribuem com a disseminação de doenças, incluindo a COVID-19.
Em situações como essas os profissionais de Arquitetura e Urbanismo devem estar habilitados para apresentar propostas que visam proporcionar a mitigação destas questões que afetam grande parte da sociedade.
Diante dessa realidade, desenvolvemos um anteprojeto como alternativa de habitação social e coletiva com economia criativa para o Rio Grande do Sul que também tentamos encaminhá-lo para participação do Concurso Público de Ideias “Casa Saudável – Cidade Saudável”, realizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS).
O Projeto
O projeto Fuchsia, desenvolvido para o Rio Grande do Sul, demonstra uma alternativa de habitação coletiva com economia criativa através do cultivo e venda de plantas nativas secas para que os moradores e consumidores preparem chás no Estado do Rio Grande do Sul, já que é uma das bebidas mais consumidas pelo Brasil e principalmente pelos gaúchos.
Através da concepção realizamos um resgate histórico dos povos que caracterizam o estado atendendo as responsabilidades de sustentabilidade utilizando os métodos de concepção da Biomimética cujos princípios são a utilização da natureza como modelo, medida e mentora. Aplicamos também o método de design da paisagem, a Permacultura e a utilização de materiais BioConstrutivos que são aqueles disponíveis na área circundante.
É relevante enfatizar que apesar dos consumidores de chás serem 54% mulheres, ele não é significativamente maior, pois além de ser consumido por ambos os gêneros também alcança todas as classes sociais.
Contudo, o objetivo foi desenvolver um anteprojeto que possa constituir uma cooperativa familiar com seis famílias carentes, capaz de diminuir o custo efetivo com a obra, promover renda e estética diferenciada, proporcionar segurança e saúde mental pela integração e trocas de experiências independente da idade, reduzir a locomoção automobilística direcionada ao trabalho, já que as famílias trabalham no local em que moram, o que agrega diretamente na redução de proliferação de dióxido de carbono na atmosfera. Por fim, a presente habitação busca revelar novo conceito espacial e técnico para que sirvam de exemplo em outras regiões brasileiras exaltando as nossas ricas e diversificadas espécies de fauna e flora.

Com a finalidade de exaltar a cultura do Rio Grande do Sul, tomamos como inspiração a sua flor símbolo decretada em 16 de Abril de 1998, popularmente conhecida como Brinco-de-princesa (Fuchsia Hibrida). Seu potencial está na facilidade de cultivo, na potencialidade comercial, na beleza e na atração de beija-flores. Sua simbologia é dada aos brincos que as mulheres gaúchas utilizavam, além de serem empregadas terapeuticamente em curas medicinais para o desenvolvimento da seriedade, da positividade e coragem.
As formas da flor deram partido as formas orgânicas presentes no projeto, cujo material empregado foi o COB, que é um material sustentável que podem ser trabalhados no próprio terreno em areia, argila e palha capaz de produzir paredes curvas, monolíticas e de capturar quantidades de calor suficientes para o inverno, além da execução ser de forma intuitiva, onde toda família pode ajudar). Utilizamos também o uso de madeira que é muito utilizado nessa região e o bambu. As construções e as plantações ficam acolhidas pela vegetação existente para garantir a existência da matéria orgânica local, fator este essencial para produção de plantas e não empobrecimento do solo.Desenvolvemos também nesse projeto estudos bioclimáticos em união com os materiais e as formas da edificação que os ambientes tenham melhor aproveitamento da luz solar e do vento predominante, essencial para purificar o ar e manter os ambientes saudáveis.
Querem conhecer mais? Clique na Imagem abaixo e confira a prancha do projeto na Íntegra.





